Autor: Igor Stramandinoli Moita Pontes
A Transmissora Aliança de Energia Elétrica S.A. (TAESA) é uma das maiores empresas privadas de transmissão de energia elétrica no Brasil, com presença em 18 estados e um portfólio diversificado de 44 concessões, totalizando 15,3 mil km de linhas de transmissão, incluindo 804 km em desenvolvimento.
No Brasil, o setor de transmissão é caracterizado por contratos de longo prazo, receita regulada e baixa exposição ao risco de volume, já que a remuneração independe da carga transportada. Esse modelo garante previsibilidade e estabilidade ao fluxo de caixa, reforçada por reajustes anuais indexados à inflação.
Trata-se de um negócio de baixo risco operacional e elevada margem EBITDA, sendo que os maiores desafios ocorrem na fase de construção das linhas, quando há riscos relacionados à obtenção de licenças ambientais, questões fundiárias e eventuais atrasos.
A TAESA possui estrutura acionária composta por CEMIG (21,7%), ISA Energia (14,9%) e Mercado (63,4%). As 44 concessões estão segregadas em 14 concessões na holding, 11 investidas integrais e 19 participações (ETAU e os grupos AIE e TBE).
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Ativos | 44 concessões (14 na holding, 11 investidas, 19 participações) |
| Extensão | 15.319 km de linhas de transmissão (804 km em construção) |
| Geografia | Presente em 18 Estados e Distrito Federal |
| Prazo Médio das Concessões | ~14 anos |
| Disponibilidade 9M25 | 99,93% |
| RAP Ciclo 2025/26 | R$ 4,4 bilhões (R$ 4,0 bi operacional + R$ 0,4 bi em construção) |
O índice de disponibilidade mede o tempo em que as linhas ficam disponíveis em relação ao número de horas contidas em 1 ano (8.760 horas), por trechos de 100km. A TAESA apresenta histórico consistente de alta disponibilidade, com 99,93% no 9M25, demonstrando excelência operacional.
A PV contabilizada no 9M25 foi de R$ 5,8 MM, equivalente a apenas 0,28% da Receita de Transmissão do período, representando uma melhora significativa de 82,3% em relação ao 9M24. A penalidade regulatória máxima é limitada a 12,5% da RAP, o que restringe o impacto financeiro de potenciais desafios operacionais.
Em julho de 2025, a ANEEL publicou a Resolução Homologatória 3.481/2025 estabelecendo as RAPs para o ciclo 2025-2026. As concessões ajustadas pelo IGP-M sofreram reajuste de +7,03% e as ajustadas pelo IPCA de +5,32%. A RAP operacional da TAESA para o ciclo 2025-2026 ficou em R$ 4,0 bilhões, crescimento de 8,7% em relação ao ciclo anterior.
A Receita Líquida Regulatória no 3T25 alcançou R$ 650,5 MM, 9,8% maior que o 3T24, explicada principalmente pela entrada em operação de Pitiguari e dos reforços da Novatrans, redução da Parcela Variável, além do reajuste positivo do IGP-M e IPCA no ciclo RAP 2025-2026.
Os custos de PMSO no 3T25 somaram R$ 101,7 MM, registrando queda de 3,1% na comparação anual. A redução é motivada por eventos não recorrentes, compensados em parte pelo reajuste salarial via acordo coletivo (+5,32% IPCA) e aumento de gastos com consultorias estratégicas.
| Custos e Despesas (R$ MM) | 3T25 | 3T24 | Var.% | 9M25 | 9M24 | Var.% |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Pessoal | (66,4) | (63,9) | 3,9% | (192,4) | (192,5) | 0,0% |
| Material | (2,5) | (2,5) | -2,7% | (5,9) | (5,8) | 0,5% |
| Serviço de terceiros | (30,5) | (25,9) | 17,6% | (74,3) | (73,5) | 1,0% |
| Outros | (2,4) | (12,6) | -81,4% | (17,0) | (26,7) | -36,2% |
| Total PMSO | (101,7) | (105,0) | -3,1% | (289,5) | (298,5) | -3,0% |
O EBITDA Regulatório do 3T25 atingiu R$ 548,8 MM, 12,6% maior que o 3T24. A margem EBITDA de 84,4% representa expansão de 2,1pp, reflexo da alavancagem operacional do negócio de transmissão.
EBITDA Total: R$ 2.244,8 MM | Margem: 86,5%
A despesa financeira líquida totalizou R$ 227,0 MM no 3T25, 7,8% maior que o 3T24, resultado do aumento da dívida líquida, alta do CDI e custo real da dívida. As receitas financeiras aumentaram 97,4% devido ao maior caixa médio e CDI mais elevado (+3,65% no 3T25 vs +2,59% no 3T24).
O Lucro Líquido Regulatório somou R$ 323,3 MM no 3T25, crescimento de 5,2% vs 3T24. No 9M25, o lucro foi de R$ 811,0 MM, alta de 2,5% na comparação anual, demonstrando resiliência operacional apesar do ambiente de juros elevados.
O Conselho de Administração aprovou distribuição de proventos do 3T25 no montante de R$ 323,3 MM (R$ 0,94/Unit), sendo R$ 144,5 MM em JCP e R$ 178,8 MM em dividendos intercalares, equivalente a 100% do lucro líquido regulatório do trimestre. Pagamento em 28 de janeiro de 2026.
Nos últimos anos, a TAESA apresentou um consumo de caixa expressivo, resultado dos investimentos realizados (R$ 4,6 bilhões entre 2021 e 2024) e de uma política de dividendos mais agressiva (R$ 5,2 bilhões em 2021–2024), o que acabou elevando a pressão sobre o endividamento. No 3T25, a dívida líquida alcançou R$ 9,3 bilhões e a alavancagem ficou em 4,5x. Considerando também as controladas, a dívida líquida atingiu R$ 12,2 bilhões, com alavancagem de 4,1x. Apesar desse patamar mais alto ser visto como temporário, a expectativa é que a alavancagem comece a cair gradualmente a partir de 2027, conforme os projetos em construção entrem em operação, em conjunto com uma condução financeira mais conservadora.
No 3T25, a Dívida Bruta da Companhia totalizou R$ 10.459,6 MM, 0,5% maior que o trimestre anterior. O caixa atingiu R$ 1.113,6 MM (+23,4% no trimestre), resultando em dívida líquida de R$ 9.346,0 MM (-1,7% vs 2T25).
| Dívida por Empresa (R$ MM) | Dívida Bruta | Caixa | Dívida Líquida |
|---|---|---|---|
| TAESA | 10.459,6 | 1.113,6 | 9.346,0 |
| ETAU (75,6%) | 0,0 | 7,6 | (7,6) |
| TBE (49,99%) | 1.331,2 | 98,1 | 1.233,1 |
| AIE (50%) | 1.537,8 | 133,2 | 1.404,7 |
| Total Proporcional | 13.328,6 | 1.352,4 | 11.976,2 |
A TAESA possui 4 empreendimentos de grande porte em construção com investimento total ANEEL de R$ 4,3 bilhões e RAP de R$ 490,7 MM (ciclo 2025-2026), além de 6 reforços de grande porte com CAPEX ANEEL de R$ 393,9 MM e RAP autorizada de R$ 71,5 MM.
No 9M25, a Companhia investiu R$ 1.297,1 MM, crescimento de 89,8% vs 9M24 (R$ 683,5 MM). O aumento deve-se principalmente aos maiores investimentos em Tangará, Ananaí e Saíra (2ª fase) e nos reforços de ATE, São Pedro e ATE III.
| Projeto | Extensão / Localização | RAP (R$ MM) | CAPEX ANEEL | Prazo ANEEL | Avanço Físico | Status |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Ananaí | 363 km / SP e PR | 171,1 | R$ 1.750 MM | mar/27 | 66,9% | Em construção |
| Tangará | 279 km / MA e PA | 108,3 | R$ 1.117 MM | mar/28 | 85,1% | Em construção |
| Saíra (2ª fase) | 743 km / RS e SC | 191,7 | R$ 1.176 MM | mar/28 | 88,8% | Em construção |
| Juruá | 1,2 km / SP | 19,6 | R$ 244 MM | jun/28 | 7,9% | Em construção |
Apesar de a companhia não ter vencimentos de concessões no curto prazo, parte relevante do portfólio começa a expirar entre 2030 e 2033 (período que representa 44,4% da RAP do ciclo 25/26). Com isso, a manutenção do nível atual de receitas (ou seu crescimento) passa a depender da conquista de novos lotes em leilões de transmissão e da execução de projetos de reforços e melhorias nos ativos existentes. Nesse contexto, a participação frequente da empresa nos leilões mais recentes indica uma estratégia clara de recomposição e renovação do portfólio.
Como resultado desse movimento, a TAESA se aproxima do fim de um ciclo mais intenso de investimentos, impulsionado pelos leilões vencidos nos últimos anos. Para o período de 2025 a 2027, a companhia projeta desembolsos entre R$ 2,1 e R$ 2,6 bilhões em projetos greenfields e melhorias. No 9M25, já foram investidos R$ 1,3 bilhão — o que sugere, no cenário atual, uma necessidade adicional de até R$ 1,3 bilhão ao longo dos próximos dois anos.
O pipeline vigente deve acrescentar cerca de R$ 527,8 milhões à RAP, contribuindo para reforçar a geração de caixa no médio prazo e mitigar parcialmente uma eventual redução de receita mais adiante. Além disso, segundo a Moody’s, a empresa estima receber aproximadamente R$ 3,0 bilhões em indenizações por ativos não amortizáveis caso essas concessões não sejam renovadas — um valor que, embora não substitua a receita recorrente de longo prazo, pode representar uma entrada relevante de caixa.
Comparativo com as principais transmissoras de energia do Brasil, considerando apenas o braço de transmissão para os conglomerados de energia (exceção às métricas de endividamento, onde são considerados os conglomerados inteiros). Para TAESA, considera-se sua participação proporcional em coligadas.
A receita regulatória depende da disponibilidade das linhas de transmissão. Em caso de indisponibilidade, a companhia pode ser penalizada via Parcela Variável (PV), impactando negativamente sua receita operacional líquida.
A penalidade regulatória máxima é limitada a 12,5% da RAP. A TAESA apresenta histórico consistente de alta disponibilidade (média de 99,8%), sustentado por manutenção preventiva e sistemas de monitoramento em tempo real. No 9M25, a PV representou apenas 0,28% da receita.
O principal risco está na fase pré-operacional, quando os projetos dependem da obtenção de licenças ambientais, autorizações fundiárias e execução das obras dentro do cronograma. Atrasos podem postergar a entrada em operação e impactar a geração de receita (RAP).
A TAESA é uma das maiores e mais consolidadas transmissoras do Brasil, com histórico comprovado de execução eficiente. Equipes especializadas em gestão socioambiental e engenharia garantem conformidade regulatória. Os projetos atuais (Ananaí, Tangará, Saíra) já avançaram significativamente, com licenças obtidas e obras em andamento.
A companhia mantém elevadas taxas de pagamento de dividendos e executa plano de expansão significativo, gerando consumo de caixa e avanço da alavancagem para 4,5x no 3T25 (consolidado) e 4,1x considerando proporcionalmente as coligadas.
Margens EBITDA altas (80-85%) garantem forte geração operacional de caixa. A maior parte da dívida é de longo prazo, atrelada a debêntures no mercado local com vencimentos espaçados e custo indexado à inflação (compatível com a receita). Espera-se redução gradual da alavancagem a partir de 2027 com entrada em operação dos novos projetos.
A TAESA não enfrenta vencimentos no curto prazo – nenhuma concessão expira antes de 2030. Contudo, 44,4% da RAP está concentrada em concessões que vencem entre 2030-2033. Se não renovar ou não vencer novas licitações, pode haver perdas significativas de receitas.
A empresa investe em novos projetos e participa ativamente de leilões de transmissão. Caso não consiga renovar concessões, a Moody's destaca que a companhia estima ter direito a indenizações de ~R$ 3,0 bilhões em ativos não amortizáveis, que embora não substituam a receita de longo prazo, representariam ingresso de caixa significativo.
O perfil de crédito da TAESA combina um negócio de baixo risco, elevada previsibilidade de receitas e posição estratégica no segmento de transmissão, com desafios temporários relacionados ao ciclo de investimentos e à política de dividendos.
Os resultados do 3T25 demonstram a resiliência do modelo de negócios: receita líquida cresceu 9,8%, EBITDA avançou 12,6% com margem de 84,4%, e o lucro líquido subiu 5,2% mesmo em ambiente de juros elevados. A disponibilidade operacional de 99,93% e a PV de apenas 0,28% da receita evidenciam a excelência operacional.
A expectativa é de normalização das métricas financeiras após a entrada em operação dos projetos em construção (Ananaí, Tangará, Saíra e Juruá), com redução gradual da alavancagem a partir de 2027. O pipeline adiciona R$ 527,8 milhões à RAP, fortalecendo a geração de caixa no médio prazo.
Monitoramos a participação da companhia nos próximos leilões e a evolução das discussões regulatórias sobre renovação de concessões vincendas a partir de 2030.
| Indicador | 3T25 | 3T24 | Var.% | 9M25 | 9M24 | Var.% |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Receita Líquida Reg. (R$ MM) | 650,5 | 592,5 | +9,8% | 1.869,7 | 1.748,1 | +7,0% |
| EBITDA Reg. (R$ MM) | 548,8 | 487,6 | +12,6% | 1.580,1 | 1.449,6 | +9,0% |
| Margem EBITDA (%) | 84,4% | 82,3% | +2,1pp | 84,5% | 82,9% | +1,6pp |
| Lucro Líquido Reg. (R$ MM) | 323,3 | 307,3 | +5,2% | 811,0 | 790,8 | +2,5% |
| Dívida Líquida (R$ MM) | 9.346,0 (TAESA) | 11.976,2 (Proporcional) | - | ||||
| Dív. Líquida/EBITDA (x) | 4,5x (TAESA) | 4,1x (Proporcional) | - | ||||