Autor: Igor Stramandinoli Moita Pontes

Rede D'or

Maior grupo privado de saúde do Brasil | Credit Research Report

Dívida Líquida / EBITDA
1,54x
↓ 0,5x vs. 3T24
0,88x c/ provisões técnicas
EBITDA 12 Meses
R$ 11,0 bi
Consolidado Ajustado
Índice de Liquidez
13,5x
Caixa / Dívida CP
Lucro Líquido 3T25
R$ 1,5 bi
↑ 19,8% a/a
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Visão Geral da Companhia

A Rede D'Or São Luiz é o maior grupo privado de saúde do Brasil, com 47 anos de existência. A companhia opera um ecossistema integrado de serviços de saúde que inclui: Hospitais (maior rede de hospitais privados do país, com 79 hospitais totalizando 13.270 leitos em 13 estados + DF), Seguros (SulAmérica) (maior seguradora independente do Brasil, com 5,7 milhões de beneficiários), Oncologia (maior rede integrada de tratamento oncológico do país), Medicina Diagnóstica (uma das maiores redes diagnósticas do Brasil) e Educação e Pesquisa (IDOR) (instituto de pesquisa com colaborações em +80 países).


Em agosto/2024, estabeleceu a Atlântica D'Or em parceria com Bradesco Seguros, reforçando seu potencial de expansão.

✓ Pontos Fortes

Referência no setor de saúde: Hospitais e serviços com elevado nível técnico e de atendimento
Maior sistema de saúde privado do Brasil: Liderança absoluta com escala incomparável
Integração vertical: Sistema que integra plano de saúde (SulAmérica), hospitais e laboratórios, otimizando custos (sinergias) e melhorando o atendimento
Setor com grande potencial de expansão: Envelhecimento da população, déficit de leitos e crescimento demográfico impulsionam demanda
Desalavancagem consistente: Dívida Líquida/EBITDA caiu de 2,77x (dez/22) para 1,54x (set/25)
Sem covenants financeiros: Flexibilidade total na gestão do balanço sem restrições contratuais
Forte geração de caixa: R$ 6,0 bilhões de caixa operacional no 9M25 (+22,6% a/a)
Liquidez robusta: Caixa líquido cobre 13,5x a dívida de curto prazo

⚠ Pontos de Atenção

Elevada sinistralidade pós-pandemia: SulAmérica e outros planos de saúde com percentual elevado de receitas gastas com atendimento dos beneficiários
Inflação médica elevada: Custos do setor de saúde crescem significativamente acima dos demais índices de inflação
Setor fragmentado e competitivo: Forte competição regional pode pressionar margens
Risco de expansão agressiva: Elevados investimentos em aquisições e abertura de novos hospitais podem aumentar endividamento
Exposição a juros: 92,3% da dívida líquida atrelada a CDI; despesas financeiras +34,2% a/a no 3T25
Concentração de amortizações: R$ 17,1 bilhões vencem entre 2028-2030
CAPEX intensivo: R$ 2,4 bilhões investidos no 9M25 para expansão (+10% a/a)

📊 Classificação de Ratings

S&P Global brAAA
Outlook Estável
Fitch Ratings AAA(bra)
Outlook Estável
Moody's
Não Avaliado

💡 Insight

Os ratings AAA em escala nacional refletem a posição dominante da Rede D'Or no setor de saúde, a trajetória consistente de desalavancagem e a liquidez confortável. A integração bem-sucedida da SulAmérica e a melhora gradual da sinistralidade reforçam a visão construtiva para os instrumentos de dívida.

02

Modelo de Negócios

79
Hospitais
5,7M
Beneficiários Seguros
13.270
Leitos Totais

📋 Segmentos de Atuação

🏥

Hospitais

Maior rede de hospitais privados do Brasil
Referência em qualidade de atendimento e tecnologia
70 hospitais próprios, 3 administrados
+40 projetos hospitalares em desenvolvimento
🛡️

Seguros (SulAmérica)

Maior seguradora independente do país
7 milhões de clientes (5 mi saúde + odonto)
Diversificação: seguros, saúde, previdência e investimentos
Fundada há 127 anos
💉

Oncologia

Liderança no setor oncológico
Serviços totalmente integrados à rede hospitalar
55 clínicas oncológicas
Atua desde 2011
🔬

Medicina Diagnóstica

3ª maior empresa de diagnósticos do Brasil
Fundada em 1977 (atividade original)
Voltou a atender terceiros a partir de 2018
11 laboratórios integrados aos hospitais
🎓

Educação e Pesquisa (IDOR)

Colaborações científicas com +60 países
38 programas de residência médica
Lançada em 2010 para reputação científica
Plano de educação privada
🩸

Serviços Complementares

Banco de sangue, diálise, ambulatório e educação
Maior banco de sangue do Brasil (34,5%)
Controle de 28,5% da Quali (Qualicorp)
Maior corretora de planos coletivos do Brasil

🗺️ Presença Geográfica

Presença em 13 estados + Distrito Federal, com forte concentração nos mercados mais relevantes:

São Paulo Principal mercado
Rio de Janeiro Origem da companhia
Nordeste (PE, BA, MA, SE, CE, PB, AL, PA) Expansão estratégica
Centro-Oeste e Sul (DF, PR, MG, MS) Crescimento acelerado

📈 Estratégia e Modelo de Crescimento de Negócios

Pilares Estratégicos

Atração dos melhores médicos: Investimento em capacitação e corpo clínico de excelência
Marca e reputação: Investimento para ter maior preferência do paciente e do médico
Rede abrangente: Hospitais Gerais, Oncologia e Medicina Diagnóstica integrados
Referência para planos de saúde: Importante constar na lista referenciada para atrair clientes
Saúde financeira: Foco em margens operacionais e alavancagem adequadas
Excelência e diferenciação: Investimento em pessoas, pesquisa e tecnologia

Resultado da Estratégia

Atendimento amplo e de padrões elevados, levando ao:

(i) Forte posicionamento da marca do grupo Rede D'Or
(ii) Conquista e manutenção do market share
(iii) Crescimento das receitas e EBITDA

🏗️ Expansão Orgânica

Programa robusto com mais de 30 projetos em desenvolvimento:

Greenfield: 755 leitos previstos (2025-2028)
Brownfield: 2.448 leitos previstos (2025-2028)
Total: 3.203 novos leitos no pipeline

CAPEX 9M25: R$ 2,4 bilhões (+10% a/a)

🤝 Parcerias Estratégicas

Atlântica D'Or (ago/24): Joint venture com Bradesco Seguros

4 hospitais já em operação no 3T25
Diversos projetos em desenvolvimento
Alinhamento com parceiro comercial estratégico
Expansão do potencial de crescimento

💡 Insight

A estratégia de crescimento equilibrada entre expansão orgânica e parcerias demonstra disciplina de capital. O pipeline de 3.203 leitos representa um incremento de ~24% sobre a base atual de 13.270 leitos totais, indicando crescimento sustentável sem comprometer as métricas de endividamento.

03

Análise Financeira

💰 Liquidez Consolidada (Rede D'Or + SulAmérica)

R$ milhões Dez/22 Dez/23 Dez/24 Set/25
Caixa Total 32.153 33.434 40.486 44.955
(-) Provisões Técnicas Seguros (4.141) (5.335) (6.817) (8.422)
(-) Provisões Técnicas Previdência (10.111) (10.881) (12.641) (11.216)
Caixa Líquido de Provisões 17.901 17.218 21.028 25.317
Dívida de Curto Prazo 5.549 3.508 3.007 1.877
Índice de Liquidez (Caixa/Dívida CP) 3,1x 4,5x 7,0x 13,5x

💡 Insight

A liquidez de 13,5x é excepcional para o setor. O caixa líquido de R$ 25,3 bilhões cobre confortavelmente todas as amortizações até 2029 (R$ 14,9 bilhões). A redução da dívida de curto prazo de R$ 5,5 bi (dez/22) para R$ 1,9 bi (set/25) demonstra gestão ativa do passivo.

Evolução de Leitos e Taxa de Ocupação

* Taxa de ocupação do 3T25 (81,6%) é recorde histórico para terceiros trimestres

A taxa de ocupação voltou a níveis pré-pandemia, com o número de diárias hospitalares e tratamentos oncológicos crescendo, com o fim do isolamento e retomada dos atendimentos (retomada de tratamentos adiados e maior consciência de saúde da população).

Volume Operacional e Ticket Médio

* Ticket médio acumulado 12M: R$ 11.587,8 (+8,3% a/a) | CAGR +6,7% desde set/20

💉 Desempenho da Oncologia Recorde no 3T25

Receita Bruta 3T25
R$ 1,05 bi
↑ 28,1% a/a
Infusões 3T25
72,4 mil
↑ 16,0% a/a
Ticket Médio
+10,4%
vs. 3T24
% da Receita Total
11,2%
vs. 10,2% no 3T24
04

Estrutura de Dívida

Dívida Bruta
R$ 42,3 bi
+22,1% vs. set/24
Caixa Líquido de Provisões
R$ 25,3 bi
+44,6% vs. set/24
Dívida Líquida
R$ 17,0 bi
-0,9% vs. set/24
Prazo Médio
5,8 anos
Custo: CDI + 1,0%

📋 Nota: Os gráficos abaixo ilustram (i) a evolução do endividamento, medido pela relação dívida líquida sobre EBITDA dos últimos 12 meses; (ii) o cronograma de amortização referente aos saldos atualizados de empréstimos, financiamentos e debêntures; e (iii) a evolução do custo médio da dívida e seu prazo médio.

Cronograma de Amortização (R$ milhões)

* Caixa em set/25: R$ 25,3 bi | Caixa cobre 25x a dívida de curto prazo (2025-2026)

Composição da Dívida

71%
Debêntures
25%
Empréstimos
4%
CRIs

📊 Perfil da Dívida

Por Moeda

BRL 79%
USD (100% hedge) 21%

Por Indexador (Dívida Líquida)

Flutuante (CDI) 92,3%
Prefixado 7,7%

⚠️ Ponto de Atenção

A concentração de 92,3% em taxas flutuantes expõe a companhia ao ciclo de alta de juros. Com CDI a 12,25% a.a. (dez/24), o custo efetivo da dívida é de aproximadamente CDI + 1,0% = 13,25% a.a. A estratégia se justifica pela expectativa de queda da Selic no médio prazo e pelo colchão de liquidez robusto.

Evolução da Alavancagem

* EBITDA 12M considera EBITDA Ajustado da SulAmérica a partir do 1T23

05

SulAmérica (Seguros)

Receita Líquida 3T25
R$ 8,5 bi
↑ 10,8% a/a
Sinistralidade 3T25
80,1%
↓ 2,0 p.p. vs. 3T24
EBITDA Ajustado 3T25
R$ 1,0 bi
↑ 68,1% a/a
Beneficiários Saúde+Odonto
5,7M
↑ 10,1% a/a

Evolução da Sinistralidade

💡 Insight

A sinistralidade caiu de 88,4% (pico 2022) para 80,1% (3T25), mas ainda está 5 p.p. acima do pré-pandemia (~75%). A normalização gradual é positiva, porém o retorno completo aos níveis históricos pode levar mais 4-6 trimestres.

Evolução de Beneficiários (mil)

Segmento 3T24 3T25 Δ %
Saúde Empresarial/Adesão 1.517 1.623 +7,0%
Saúde PME 561 694 +23,7%
Saúde Individual 658 680 +3,3%
Odonto 2.335 2.603 +11,5%

📈 EBITDA SulAmérica (R$ milhões)

Despesas Administrativas / Receita

4,4%

9M25 (ex-provisões para contingências)

vs. 6,9% no 9M22 pré-incorporação

Sinergias Capturadas

A redução de 2,5 p.p. nas despesas administrativas representa captura significativa de sinergias pós-incorporação. Com receita de ~R$ 33 bi/ano, isso equivale a economia anual de aproximadamente R$ 825 milhões.

📊 Indicadores Operacionais SulAmérica Visão Anual

Sinistralidade e Nº de Beneficiários de Saúde & Odontologia

⚠️ Impacto da Pandemia nos Planos de Saúde

Os planos de saúde foram prejudicados, pois são os pagadores dos tratamentos médicos. A sinistralidade atingiu 88,4% das receitas da SulAmérica (4T21 e 2T22), caindo para 85,1% (4T23) com ações de seletividade de clientes, reajustes e uso racional dos planos.

🔍 Ponto de Atenção

A sinistralidade é um dos principais pontos de atenção para a Rede D'Or, pois exige mais ações de redução de custos e ampliação de receita, uma vez que ainda está elevada em relação aos níveis pré-pandemia (~75%).

Pico de Sinistralidade
88,4%
4T21 / 2T22
Atual (3T25)
80,1%
Queda de 8,3 p.p.
06

Análise Setorial

🏥 Sistema de Saúde Privado no Brasil

Beneficiários Médicos
53,3M
Out/2025 (recorde)
Beneficiários Odonto
35,1M
Out/2025 (recorde)
Cobertura Populacional
26,2%
Planos médico-hospitalares
Sinistralidade 9M25
81,9%
↓ 2,4 p.p. vs. 9M24

📊 Concentração e Desproporcionalidade

O setor privado responde por uma parcela desproporcional dos gastos em saúde: os planos privados atendem cerca de 26% da população, porém concentram aproximadamente 60% dos recursos totais investidos em saúde no país. Essa dinâmica reflete tanto o maior poder aquisitivo dos beneficiários quanto a intensidade de uso dos serviços disponíveis.

💰

Gastos em Saúde Privada

~R$ 350 bilhões/ano (receita do setor em 2024)

📈

Crescimento vs. População

Beneficiários +12% vs. População +6,5% (2010-2022)

📈 Dinâmica e Vetores de Crescimento do Setor

✓ Fatores Estruturais de Expansão

Envelhecimento populacional: A pirâmide etária brasileira está em transformação acelerada, com a população idosa (65+) crescendo 3x mais rápido que a média, gerando demanda crescente por serviços de saúde mais complexos e frequentes
Déficit de infraestrutura: O setor privado opera com carência estrutural de leitos, especialmente em regiões fora do eixo Sul-Sudeste, criando oportunidades para consolidadores com capacidade de investimento
Crescimento vegetativo: A taxa de natalidade, embora em declínio, ainda adiciona cerca de 0,6% ao ano à população, gerando novas vidas a serem cobertas pelos planos
Fragmentação do mercado: Os grandes grupos detêm menos de 10% dos leitos no Brasil, evidenciando um mercado pulverizado com hospitais menores, de menor infraestrutura e eficiência financeira limitada — criando potencial de aquisição por players com escala

⚠️ Desafios e Pressões do Setor

Sinistralidade elevada pós-pandemia: Os planos de saúde sofreram forte impacto com a explosão de custos assistenciais, atingindo pico de 88,6% em 2022. A normalização tem sido gradual, com índice de 81,9% nos 9M25
Inflação médica persistente: Os custos do setor de saúde crescem sistematicamente acima dos índices gerais de preços, pressionando margens e exigindo reajustes constantes nas mensalidades
Sustentabilidade financeira: Para crescer de forma saudável, as operadoras precisam equilibrar controle de custos (prevenção de fraudes, uso racional), eficiência operacional (tecnologia, combate a desperdícios) e adequação de preços por perfil de risco
Risco de glosas e inadimplência: Operadoras com alta sinistralidade tendem a aumentar glosas (recusas de pagamento) e postergar repasses a hospitais, gerando tensão na cadeia de valor

📊 Planos de Saúde Privados: Sinistralidade e Número de Beneficiários

Sinistralidade dos Planos de Saúde Trimestral

Fonte: ANS - Painel Econômico-Financeiro da Saúde Suplementar

Beneficiários de Planos de Saúde Histórico (milhões)

Fonte: ANS - Sala de Situação

💡 Perspectiva

O setor atravessa um momento de recuperação financeira após os anos críticos de 2022-2023. A sinistralidade, que atingiu 88,6% no pico da demanda reprimida pós-pandemia, recuou para 81,9% nos primeiros nove meses de 2025 — o menor patamar desde 2021. Esse movimento foi viabilizado pela recomposição das mensalidades em ritmo superior ao avanço das despesas assistenciais e por ações de gestão de carteira (seletividade de clientes, programas de uso consciente). O lucro líquido do setor no 1S25 atingiu R$ 12,9 bilhões (+132% a/a), já superando o resultado de todo o ano de 2024. Contudo, a recuperação não é homogênea: cerca de 7,5 milhões de beneficiários estão vinculados a operadoras em regimes especiais de acompanhamento da ANS, sinalizando que o ajuste estrutural ainda está em curso.

Densidade de Leitos Hospitalares Leitos/100 mil hab.

⚠️ Déficit Estrutural

O Brasil possui apenas 2,0 leitos/100 mil habitantes, abaixo da recomendação da OMS (3-5 leitos). Este déficit estrutural representa oportunidade de longo prazo para a Rede D'Or, que possui pipeline de 3.203 novos leitos.

Déficit de Leitos Privados

Ano Déficit (leitos) Var. %
2019 14.246
2024 25.131 +76,4%
2029E 31.581 +25,7%

📉 Sinistralidade do Setor de Planos de Saúde

📈 Drivers de Crescimento do Setor

Envelhecimento populacional (maior demanda por saúde)
Déficit estrutural de leitos privados
Crescimento demográfico ainda positivo (+0,6% a.a.)
Fragmentação do mercado (grandes grupos detêm <10% dos leitos)

⚠️ Desafios do Setor

Normalização da sinistralidade pós-pandemia
Inflação médica acima da inflação geral
Pressão regulatória (ANS)
Inadimplência em planos empresariais (PMEs)

📊 Comparativo Setorial - 3T25 Fonte: XP Research

📊 Posicionamento Rede D'Or vs. Setor

O setor de saúde apresentou crescimento moderado no 3T25, sustentado por reajustes contratuais e expansão de beneficiários. A Rede D'Or se destaca como a empresa mais bem posicionada, combinando escala, integração vertical e eficiência operacional. A alavancagem do setor está em níveis confortáveis na maioria das empresas, exceto casos específicos.

Empresa Alavancagem (x) Situação Observação
Rede D'Or 1,54x Confortável Líder absoluto; sem covenants; forte geração de caixa
Oncoclínicas 4,5x Elevada Prejuízo recorrente; necessita desinvestimentos e gestão ativa de liquidez
07

Métricas de Crédito

📊 Dashboard de Métricas de Crédito

Dívida Líquida / EBITDA
1,54x
Meta implícita: < 2,5x
Alavancagem c/ Provisões
0,88x
Inclui R$ 19,6 bi prov. técnicas
EBITDA / Despesa Financeira
2,4x
Cobertura de juros
Covenants Financeiros
Nenhum
Flexibilidade total
Métrica Dez/22 Dez/23 Set/24 Set/25 Tendência
Dívida Líquida (R$ bi) 14,7 16,9 17,1 17,0 ◆ Estável
Dív. Líquida/EBITDA (ajustado) 2,77x 2,30x 1,92x 1,54x ▼ Melhora
Índice de Liquidez* 3,1x 4,5x 5,8x 13,5x ▲ Forte
Margem EBITDA Hospitais 25,7% 25,1% 27,1% 26,0% ◆ Sólida

* Índice de Liquidez = Caixa e Equivalentes / Dívida de Curto Prazo

Evolução das Principais Métricas

📋 Conclusão

A Rede D'Or apresenta perfil de crédito sólido, sustentado por sua posição de liderança absoluta no setor de saúde brasileiro, trajetória consistente de desalavancagem e robusto colchão de liquidez. Os ratings AAA em escala nacional estão bem fundamentados. Destaque adicional: a companhia não possui covenants financeiros, conferindo flexibilidade total na gestão do balanço.

Pontos Positivos: A queda da alavancagem de 2,77x (dez/22) para 1,54x (set/25) — ou 0,88x considerando provisões técnicas de R$ 19,6 bi — demonstra disciplina financeira excepcional e integração bem-sucedida da SulAmérica. A liquidez de 13,5x proporciona ampla flexibilidade. Em comparação setorial, a Rede D'Or se destaca significativamente versus pares como Oncoclínicas (alavancagem de 4,5x com prejuízo recorrente).

Pontos de Monitoramento: A sinistralidade da SulAmérica (80,1%) permanece acima do pré-pandemia (~75%), embora em normalização gradual. A exposição de 92,3% da dívida a taxas flutuantes resultou em aumento de 34,2% a/a nas despesas financeiras no 3T25 (impacto do CDI elevado). A concentração de amortizações 2028-2030 (R$ 17,1 bi) requer planejamento de refinanciamento.

Recomendação: Visão CONSTRUTIVA para instrumentos de dívida da Rede D'Or. O spread de CDI+1,0% parece adequado ao perfil de risco AAA em escala local. A empresa é a melhor posicionada do setor, combinando escala, integração vertical e eficiência operacional.

08

Glossário de Indicadores Financeiros

EBITDA

Sigla em inglês para Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization, ou em português Lucro antes dos Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (LAJIDA). É um indicativo do potencial de geração de caixa operacional da empresa, sem levar em consideração os efeitos de receitas e despesas financeiras, impostos, depreciação e amortização. Amplamente utilizado para análise de empresas e comparabilidade.

Dívida Líquida

Também chamada de endividamento líquido, consiste no saldo de empréstimos e financiamentos, após reduzido o caixa da empresa. No geral, considera-se que quanto maior o volume de Dívida em relação às disponibilidades financeiras, mais endividada é a empresa. Quando a quantidade de caixa é superior à quantidade da Dívida, considera-se que a empresa é "aplicadora líquida" ou que possui um "endividamento líquido negativo".

Dívida Líquida / EBITDA (quanto menor, melhor)

Relação entre a Dívida Líquida e o EBITDA, é uma das métricas mais comumente utilizadas na análise de Crédito como medida da alavancagem. Em contratos de Dívida que possuem cláusulas contratuais (covenants), costuma ser o principal indicador a ser monitorado, uma vez que demonstra o quanto do crescimento da Dívida está sendo acompanhado pelo crescimento do resultado operacional.

EBITDA / Despesas Financeiras (quanto maior, melhor)

Também conhecido como Índice de Cobertura de Juros (ICJ), é um indicador da saúde financeira da empresa, pois mede a capacidade da empresa em honrar com as despesas de juros de seus empréstimos a partir de seu potencial de geração de caixa operacional (EBITDA), servindo também como um Índice de solvência. Considera-se que empresas com ICJ abaixo de 1x podem ter dificuldade em arcar com o pagamento das despesas financeiras.

Patrimônio Líquido / Ativo Total (quanto maior, melhor)

Indicador relativo à estrutura de capitais da empresa, demonstra o quanto dos seus ativos são cobertos por capital próprio (Patrimônio Líquido), ou seja, a diferença relaciona o quanto a empresa precisa se endividar com capital de terceiros para financiar seus ativos. Quanto mais próximo a 100% (ou 1x vez), significa que a empresa possui maior autonomia de recursos em detrimento à assunção de Dívidas.

Liquidez Corrente (quanto maior, melhor)

Calculada pela razão entre o Ativo Circulante e o Passivo Circulante classificados no Balanço Patrimonial, é um indicador financeiro que mostra a capacidade da empresa de quitar todas as suas obrigações de curto prazo, ou seja, considera os valores previstos de entrada de caixa e de saída de caixa no horizonte de até doze meses.

Fluxo de Caixa das Operações

O Demonstrativo de Fluxo de Caixa (DFC) das empresas é geralmente dividido em três seções: a das operações, a de investimento e a de financiamento. No caso "das operações", demonstra as entradas e saídas de caixa da empresa oriundas essencialmente de sua atividade, ou seja, considera as receitas e as despesas operacionais em determinado período, e não leva em consideração o resultado financeiro e os investimentos (capex).

Fluxo de Caixa de Investimento

Seção do Demonstrativo de Fluxo de Caixa que destaca como a empresa alocou recursos nas despesas de capital, ou seja, em capex, seja de manutenção, modernização ou expansão, incluindo aquisições de outras marcas ou empresas.

Fluxo de Caixa de Financiamento

Seção do Demonstrativo de Fluxo de Caixa que destaca o valor dispendido pela empresa com captação e pagamento de empréstimos e financiamentos, bem como em custo da Dívida. Inclui também os itens relacionados à estrutura de capitais, como emissão e recompra de ações e de dividendos e juros sob capital próprio. A soma das três seções do DFC (Operação, Investimento e Financiamento) resulta na variação do caixa da empresa no período.

LTV (Loan-to-Value)

Representa a relação entre a Dívida Líquida e o valor contábil dos veículos (frota). A ideia é medir o quanto os ativos líquidos da Companhia cobririam da Dívida em caso de necessidade de venda. Quanto menor o LTV, maior a margem de segurança para os credores, indicando que os ativos da empresa são suficientes para cobrir suas obrigações mesmo em cenários de estresse.