Visão Geral da Companhia
A Rede D'Or São Luiz é o maior grupo privado de saúde do Brasil, com 47 anos de existência. A companhia opera um ecossistema integrado de serviços de saúde que inclui: Hospitais (maior rede de hospitais privados do país, com 79 hospitais totalizando 13.270 leitos em 13 estados + DF), Seguros (SulAmérica) (maior seguradora independente do Brasil, com 5,7 milhões de beneficiários), Oncologia (maior rede integrada de tratamento oncológico do país), Medicina Diagnóstica (uma das maiores redes diagnósticas do Brasil) e Educação e Pesquisa (IDOR) (instituto de pesquisa com colaborações em +80 países).
Em agosto/2024, estabeleceu a Atlântica D'Or em parceria com Bradesco Seguros, reforçando seu potencial de expansão.
✓ Pontos Fortes
⚠ Pontos de Atenção
📊 Classificação de Ratings
💡 Insight
Os ratings AAA em escala nacional refletem a posição dominante da Rede D'Or no setor de saúde, a trajetória consistente de desalavancagem e a liquidez confortável. A integração bem-sucedida da SulAmérica e a melhora gradual da sinistralidade reforçam a visão construtiva para os instrumentos de dívida.
Modelo de Negócios
📋 Segmentos de Atuação
Hospitais
Seguros (SulAmérica)
Oncologia
Medicina Diagnóstica
Educação e Pesquisa (IDOR)
Serviços Complementares
🗺️ Presença Geográfica
Presença em 13 estados + Distrito Federal, com forte concentração nos mercados mais relevantes:
📈 Estratégia e Modelo de Crescimento de Negócios
Pilares Estratégicos
Resultado da Estratégia
Atendimento amplo e de padrões elevados, levando ao:
(i) Forte posicionamento da marca do grupo Rede D'Or
(ii) Conquista e manutenção do market share
(iii) Crescimento das receitas e EBITDA
🏗️ Expansão Orgânica
Programa robusto com mais de 30 projetos em desenvolvimento:
CAPEX 9M25: R$ 2,4 bilhões (+10% a/a)
🤝 Parcerias Estratégicas
Atlântica D'Or (ago/24): Joint venture com Bradesco Seguros
💡 Insight
A estratégia de crescimento equilibrada entre expansão orgânica e parcerias demonstra disciplina de capital. O pipeline de 3.203 leitos representa um incremento de ~24% sobre a base atual de 13.270 leitos totais, indicando crescimento sustentável sem comprometer as métricas de endividamento.
Análise Financeira
💰 Liquidez Consolidada (Rede D'Or + SulAmérica)
| R$ milhões | Dez/22 | Dez/23 | Dez/24 | Set/25 |
|---|---|---|---|---|
| Caixa Total | 32.153 | 33.434 | 40.486 | 44.955 |
| (-) Provisões Técnicas Seguros | (4.141) | (5.335) | (6.817) | (8.422) |
| (-) Provisões Técnicas Previdência | (10.111) | (10.881) | (12.641) | (11.216) |
| Caixa Líquido de Provisões | 17.901 | 17.218 | 21.028 | 25.317 |
| Dívida de Curto Prazo | 5.549 | 3.508 | 3.007 | 1.877 |
| Índice de Liquidez (Caixa/Dívida CP) | 3,1x | 4,5x | 7,0x | 13,5x |
💡 Insight
A liquidez de 13,5x é excepcional para o setor. O caixa líquido de R$ 25,3 bilhões cobre confortavelmente todas as amortizações até 2029 (R$ 14,9 bilhões). A redução da dívida de curto prazo de R$ 5,5 bi (dez/22) para R$ 1,9 bi (set/25) demonstra gestão ativa do passivo.
Evolução de Leitos e Taxa de Ocupação
* Taxa de ocupação do 3T25 (81,6%) é recorde histórico para terceiros trimestres
A taxa de ocupação voltou a níveis pré-pandemia, com o número de diárias hospitalares e tratamentos oncológicos crescendo, com o fim do isolamento e retomada dos atendimentos (retomada de tratamentos adiados e maior consciência de saúde da população).
Volume Operacional e Ticket Médio
* Ticket médio acumulado 12M: R$ 11.587,8 (+8,3% a/a) | CAGR +6,7% desde set/20
💉 Desempenho da Oncologia Recorde no 3T25
Estrutura de Dívida
📋 Nota: Os gráficos abaixo ilustram (i) a evolução do endividamento, medido pela relação dívida líquida sobre EBITDA dos últimos 12 meses; (ii) o cronograma de amortização referente aos saldos atualizados de empréstimos, financiamentos e debêntures; e (iii) a evolução do custo médio da dívida e seu prazo médio.
Cronograma de Amortização (R$ milhões)
* Caixa em set/25: R$ 25,3 bi | Caixa cobre 25x a dívida de curto prazo (2025-2026)
Composição da Dívida
📊 Perfil da Dívida
Por Moeda
Por Indexador (Dívida Líquida)
⚠️ Ponto de Atenção
A concentração de 92,3% em taxas flutuantes expõe a companhia ao ciclo de alta de juros. Com CDI a 12,25% a.a. (dez/24), o custo efetivo da dívida é de aproximadamente CDI + 1,0% = 13,25% a.a. A estratégia se justifica pela expectativa de queda da Selic no médio prazo e pelo colchão de liquidez robusto.
Evolução da Alavancagem
* EBITDA 12M considera EBITDA Ajustado da SulAmérica a partir do 1T23
SulAmérica (Seguros)
Evolução da Sinistralidade
💡 Insight
A sinistralidade caiu de 88,4% (pico 2022) para 80,1% (3T25), mas ainda está 5 p.p. acima do pré-pandemia (~75%). A normalização gradual é positiva, porém o retorno completo aos níveis históricos pode levar mais 4-6 trimestres.
Evolução de Beneficiários (mil)
| Segmento | 3T24 | 3T25 | Δ % |
|---|---|---|---|
| Saúde Empresarial/Adesão | 1.517 | 1.623 | +7,0% |
| Saúde PME | 561 | 694 | +23,7% |
| Saúde Individual | 658 | 680 | +3,3% |
| Odonto | 2.335 | 2.603 | +11,5% |
📈 EBITDA SulAmérica (R$ milhões)
Despesas Administrativas / Receita
4,4%
9M25 (ex-provisões para contingências)
vs. 6,9% no 9M22 pré-incorporação
Sinergias Capturadas
A redução de 2,5 p.p. nas despesas administrativas representa captura significativa de sinergias pós-incorporação. Com receita de ~R$ 33 bi/ano, isso equivale a economia anual de aproximadamente R$ 825 milhões.
📊 Indicadores Operacionais SulAmérica Visão Anual
Sinistralidade e Nº de Beneficiários de Saúde & Odontologia
⚠️ Impacto da Pandemia nos Planos de Saúde
Os planos de saúde foram prejudicados, pois são os pagadores dos tratamentos médicos. A sinistralidade atingiu 88,4% das receitas da SulAmérica (4T21 e 2T22), caindo para 85,1% (4T23) com ações de seletividade de clientes, reajustes e uso racional dos planos.
🔍 Ponto de Atenção
A sinistralidade é um dos principais pontos de atenção para a Rede D'Or, pois exige mais ações de redução de custos e ampliação de receita, uma vez que ainda está elevada em relação aos níveis pré-pandemia (~75%).
Análise Setorial
🏥 Sistema de Saúde Privado no Brasil
📊 Concentração e Desproporcionalidade
O setor privado responde por uma parcela desproporcional dos gastos em saúde: os planos privados atendem cerca de 26% da população, porém concentram aproximadamente 60% dos recursos totais investidos em saúde no país. Essa dinâmica reflete tanto o maior poder aquisitivo dos beneficiários quanto a intensidade de uso dos serviços disponíveis.
Gastos em Saúde Privada
~R$ 350 bilhões/ano (receita do setor em 2024)
Crescimento vs. População
Beneficiários +12% vs. População +6,5% (2010-2022)
📈 Dinâmica e Vetores de Crescimento do Setor
✓ Fatores Estruturais de Expansão
⚠️ Desafios e Pressões do Setor
📊 Planos de Saúde Privados: Sinistralidade e Número de Beneficiários
Sinistralidade dos Planos de Saúde Trimestral
Fonte: ANS - Painel Econômico-Financeiro da Saúde Suplementar
Beneficiários de Planos de Saúde Histórico (milhões)
Fonte: ANS - Sala de Situação
💡 Perspectiva
O setor atravessa um momento de recuperação financeira após os anos críticos de 2022-2023. A sinistralidade, que atingiu 88,6% no pico da demanda reprimida pós-pandemia, recuou para 81,9% nos primeiros nove meses de 2025 — o menor patamar desde 2021. Esse movimento foi viabilizado pela recomposição das mensalidades em ritmo superior ao avanço das despesas assistenciais e por ações de gestão de carteira (seletividade de clientes, programas de uso consciente). O lucro líquido do setor no 1S25 atingiu R$ 12,9 bilhões (+132% a/a), já superando o resultado de todo o ano de 2024. Contudo, a recuperação não é homogênea: cerca de 7,5 milhões de beneficiários estão vinculados a operadoras em regimes especiais de acompanhamento da ANS, sinalizando que o ajuste estrutural ainda está em curso.
Densidade de Leitos Hospitalares Leitos/100 mil hab.
⚠️ Déficit Estrutural
O Brasil possui apenas 2,0 leitos/100 mil habitantes, abaixo da recomendação da OMS (3-5 leitos). Este déficit estrutural representa oportunidade de longo prazo para a Rede D'Or, que possui pipeline de 3.203 novos leitos.
Déficit de Leitos Privados
| Ano | Déficit (leitos) | Var. % |
|---|---|---|
| 2019 | 14.246 | — |
| 2024 | 25.131 | +76,4% |
| 2029E | 31.581 | +25,7% |
📉 Sinistralidade do Setor de Planos de Saúde
📈 Drivers de Crescimento do Setor
⚠️ Desafios do Setor
📊 Comparativo Setorial - 3T25 Fonte: XP Research
📊 Posicionamento Rede D'Or vs. Setor
O setor de saúde apresentou crescimento moderado no 3T25, sustentado por reajustes contratuais e expansão de beneficiários. A Rede D'Or se destaca como a empresa mais bem posicionada, combinando escala, integração vertical e eficiência operacional. A alavancagem do setor está em níveis confortáveis na maioria das empresas, exceto casos específicos.
| Empresa | Alavancagem (x) | Situação | Observação |
|---|---|---|---|
| Rede D'Or | 1,54x | Confortável | Líder absoluto; sem covenants; forte geração de caixa |
| Oncoclínicas | 4,5x | Elevada | Prejuízo recorrente; necessita desinvestimentos e gestão ativa de liquidez |
Métricas de Crédito
📊 Dashboard de Métricas de Crédito
| Métrica | Dez/22 | Dez/23 | Set/24 | Set/25 | Tendência |
|---|---|---|---|---|---|
| Dívida Líquida (R$ bi) | 14,7 | 16,9 | 17,1 | 17,0 | ◆ Estável |
| Dív. Líquida/EBITDA (ajustado) | 2,77x | 2,30x | 1,92x | 1,54x | ▼ Melhora |
| Índice de Liquidez* | 3,1x | 4,5x | 5,8x | 13,5x | ▲ Forte |
| Margem EBITDA Hospitais | 25,7% | 25,1% | 27,1% | 26,0% | ◆ Sólida |
* Índice de Liquidez = Caixa e Equivalentes / Dívida de Curto Prazo
Evolução das Principais Métricas
📋 Conclusão
A Rede D'Or apresenta perfil de crédito sólido, sustentado por sua posição de liderança absoluta no setor de saúde brasileiro, trajetória consistente de desalavancagem e robusto colchão de liquidez. Os ratings AAA em escala nacional estão bem fundamentados. Destaque adicional: a companhia não possui covenants financeiros, conferindo flexibilidade total na gestão do balanço.
Pontos Positivos: A queda da alavancagem de 2,77x (dez/22) para 1,54x (set/25) — ou 0,88x considerando provisões técnicas de R$ 19,6 bi — demonstra disciplina financeira excepcional e integração bem-sucedida da SulAmérica. A liquidez de 13,5x proporciona ampla flexibilidade. Em comparação setorial, a Rede D'Or se destaca significativamente versus pares como Oncoclínicas (alavancagem de 4,5x com prejuízo recorrente).
Pontos de Monitoramento: A sinistralidade da SulAmérica (80,1%) permanece acima do pré-pandemia (~75%), embora em normalização gradual. A exposição de 92,3% da dívida a taxas flutuantes resultou em aumento de 34,2% a/a nas despesas financeiras no 3T25 (impacto do CDI elevado). A concentração de amortizações 2028-2030 (R$ 17,1 bi) requer planejamento de refinanciamento.
Recomendação: Visão CONSTRUTIVA para instrumentos de dívida da Rede D'Or. O spread de CDI+1,0% parece adequado ao perfil de risco AAA em escala local. A empresa é a melhor posicionada do setor, combinando escala, integração vertical e eficiência operacional.
Glossário de Indicadores Financeiros
EBITDA
Sigla em inglês para Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization, ou em português Lucro antes dos Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (LAJIDA). É um indicativo do potencial de geração de caixa operacional da empresa, sem levar em consideração os efeitos de receitas e despesas financeiras, impostos, depreciação e amortização. Amplamente utilizado para análise de empresas e comparabilidade.
Dívida Líquida
Também chamada de endividamento líquido, consiste no saldo de empréstimos e financiamentos, após reduzido o caixa da empresa. No geral, considera-se que quanto maior o volume de Dívida em relação às disponibilidades financeiras, mais endividada é a empresa. Quando a quantidade de caixa é superior à quantidade da Dívida, considera-se que a empresa é "aplicadora líquida" ou que possui um "endividamento líquido negativo".
Dívida Líquida / EBITDA (quanto menor, melhor)
Relação entre a Dívida Líquida e o EBITDA, é uma das métricas mais comumente utilizadas na análise de Crédito como medida da alavancagem. Em contratos de Dívida que possuem cláusulas contratuais (covenants), costuma ser o principal indicador a ser monitorado, uma vez que demonstra o quanto do crescimento da Dívida está sendo acompanhado pelo crescimento do resultado operacional.
EBITDA / Despesas Financeiras (quanto maior, melhor)
Também conhecido como Índice de Cobertura de Juros (ICJ), é um indicador da saúde financeira da empresa, pois mede a capacidade da empresa em honrar com as despesas de juros de seus empréstimos a partir de seu potencial de geração de caixa operacional (EBITDA), servindo também como um Índice de solvência. Considera-se que empresas com ICJ abaixo de 1x podem ter dificuldade em arcar com o pagamento das despesas financeiras.
Patrimônio Líquido / Ativo Total (quanto maior, melhor)
Indicador relativo à estrutura de capitais da empresa, demonstra o quanto dos seus ativos são cobertos por capital próprio (Patrimônio Líquido), ou seja, a diferença relaciona o quanto a empresa precisa se endividar com capital de terceiros para financiar seus ativos. Quanto mais próximo a 100% (ou 1x vez), significa que a empresa possui maior autonomia de recursos em detrimento à assunção de Dívidas.
Liquidez Corrente (quanto maior, melhor)
Calculada pela razão entre o Ativo Circulante e o Passivo Circulante classificados no Balanço Patrimonial, é um indicador financeiro que mostra a capacidade da empresa de quitar todas as suas obrigações de curto prazo, ou seja, considera os valores previstos de entrada de caixa e de saída de caixa no horizonte de até doze meses.
Fluxo de Caixa das Operações
O Demonstrativo de Fluxo de Caixa (DFC) das empresas é geralmente dividido em três seções: a das operações, a de investimento e a de financiamento. No caso "das operações", demonstra as entradas e saídas de caixa da empresa oriundas essencialmente de sua atividade, ou seja, considera as receitas e as despesas operacionais em determinado período, e não leva em consideração o resultado financeiro e os investimentos (capex).
Fluxo de Caixa de Investimento
Seção do Demonstrativo de Fluxo de Caixa que destaca como a empresa alocou recursos nas despesas de capital, ou seja, em capex, seja de manutenção, modernização ou expansão, incluindo aquisições de outras marcas ou empresas.
Fluxo de Caixa de Financiamento
Seção do Demonstrativo de Fluxo de Caixa que destaca o valor dispendido pela empresa com captação e pagamento de empréstimos e financiamentos, bem como em custo da Dívida. Inclui também os itens relacionados à estrutura de capitais, como emissão e recompra de ações e de dividendos e juros sob capital próprio. A soma das três seções do DFC (Operação, Investimento e Financiamento) resulta na variação do caixa da empresa no período.
LTV (Loan-to-Value)
Representa a relação entre a Dívida Líquida e o valor contábil dos veículos (frota). A ideia é medir o quanto os ativos líquidos da Companhia cobririam da Dívida em caso de necessidade de venda. Quanto menor o LTV, maior a margem de segurança para os credores, indicando que os ativos da empresa são suficientes para cobrir suas obrigações mesmo em cenários de estresse.