Visão Geral da Companhia
📋 Visão Geral de Crédito - 3T25
A Localiza é a maior rede de mobilidade da América do Sul e está presente em 7 países. A atuação da empresa está segmentada, basicamente, em três categorias: aluguel de carros, gestão de frotas e venda de seminovos. A área de aluguel de carros é responsável por franquear o aluguel de carros no Brasil e na América do Sul. A divisão de gestão de frotas terceiriza carros para empresas com base em contratos de longo prazo, geralmente 24 ou 36 meses. A rede de lojas de seminovos vende os carros usados em sua maioria para consumidores finais.
Em Rent-A-CAR: a Localiza opera uma frota no Brasil de 328,8 mil veículos e rede de 599 agências no Brasil (524 próprias + 75 franqueadas). Em Gestão de Frotas: a frota total é de ~303,5 mil veículos. Em Seminovos: a empresa conta com 247 lojas no próprias em 132 cidades.
Aluguel de Carros: atividade principal da empresa, consiste no aluguel de veículos para pessoas físicas e jurídicas. O segmento teve participação de ~30% na receita líquida da Localiza em 2020. Gestão de Frotas (GTF / Fleet Rental): locação para pessoas jurídicas (contratos tipicamente mais longos). No 3T25 (Brasil), a receita líquida foi de R$2,273 bi (~21% da receita líquida consolidada). Seminovos: venda de veículos desativados das divisões de Aluguel de Carros (RAC) e Gestão de Frotas (GTF). No 3T25, a receita líquida de Seminovos foi de R$5,838 bi (incluindo México), o que equivale a ~54% da receita líquida consolidada do trimestre (R$10,732 bi)
✓ Pontos Fortes
⚠ Pontos de Atenção
Atuação
A Localiza&Co opera em dois pilares: Locação (RAC + GTF) e Venda de Ativos e Serviços (Seminovos + Serviços), formando um ciclo integrado de gestão de frota.
Ciclo Integrado de gestão de Frota
A venda de seminovos financia parte da renovação da frota, reduzindo a necessidade de endividamento adicional.
Perfil de Endividamento
Cronograma de amortização (R$ milhões)
Composição da Dívida
A Companhia encerrou o 3T25 com R$12,3 bilhões em caixa, suficientes para cobrir a Dívida de curto prazo e o contas a pagar a montadoras. A gestão ativa da Dívida segue com foco na captura de oportunidades de redução de custo e alongamento do duration. O caixa atual cobre aproximadamente 3x a Dívida vencendo em 2026.
📊 Estratégia de Hedge
A Localiza possui R$21 bilhões em contratos de swap a uma taxa média de 11,7% para proteger os fluxos de caixa dos contratos de gestão de Frotas contra variações de juros. Aproximadamente 1/3 dos contratos é renovado anualmente, conforme vencimentos dos contratos de GTF.
📈 Melhora nos Indicadores
O ratio Dívida Líquida/EBITDA segue melhorando (2,33x vs 2,57x no 3T24), refletindo a agenda de recomposição de preço e eficiência em custos. O ratio Dívida Líquida/valor de frota permanece em patamar confortável (~48%), mesmo com efeito da redução no valor da frota pelo IPI.
💡 Análise do Perfil de Dívida
🔵 Alongamento do Duration
A Localiza mantém gestão ativa da Dívida com foco no alongamento de prazos. O caixa de R$12,3 bi cobre 80% da Dívida até 2028, demonstrando conforto de liquidez. As novas emissões em 2025 (42ª a 45ª) vieram com spreads de CDI + 0,91% a 1,40%, indicando percepção de risco favorável pelo mercado.
🔵 Custo da Dívida Protegido
A companhia possui R$21 bilhões em contratos de swap a uma taxa média de 11,7% para proteger os fluxos de caixa contra variações de juros. Aproximadamente 1/3 dos contratos é renovado anualmente, conforme vencimentos dos contratos de gestão de Frotas.
🔵 Melhora nos Indicadores de Cobertura
O ratio EBITDA LTM / Despesas Financeiras Líquidas LTM melhorou de 2,91x (3T24) para 3,05x (3T25), demonstrando maior capacidade de cobertura de juros apesar do Cenário de CDI elevado.
📊 Métricas de Crédito - Balanço Consolidado (Set/2025)
| Indicador | 3T24 | 3T25 | Variação |
|---|---|---|---|
| Dívida Líquida / EBITDA LTM | 2,57x | 2,33x | Melhora |
| EBITDA / Despesas Financeiras | 2,91x | 3,05x | Melhora |
| DL / Valor da Frota | 55% | 60% | Pressão |
| Dívida Líquida / PL | 1,14x | 1,24x | Estável |
| Caixa / Dívida CP | 2,3x | 3,0x | Melhora |
Resultados 3T25
Evolução dos Indicadores Financeiros
| R$ milhões | 9M24 | 9M25 | Δ% A/A | 3T24 | 3T25 | Δ% A/A |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Receita Líquida | 27.419 | 30.771 | +12% | 9.683 | 10.732 | +11% |
| EBITDA Ajustado | 9.934 | 10.049 | +1% | 3.320 | 3.544 | +7% |
| Margem EBITDA Aj. | 36,2% | 32,7% | -3,6p.p. | 34,3% | 33,0% | -1,3p.p. |
| Margem EBITDA (Locação) | 74,7% | 69,5% | -5,3p.p. | 72,0% | 72,4% | +0,4p.p. |
| Lucro Líquido | 976 | 932 | -5% | 812 | 258 | -68% |
| Caixa | 12.739 | 12.314 | -3% | 12.739 | 12.314 | -3% |
| Dívida Bruta | 42.236 | 43.409 | +3% | 42.236 | 43.409 | +3% |
| Dívida Líquida | 29.497 | 31.095 | +5% | 29.497 | 31.095 | +5% |
| Indicadores de Crédito | 3T24 | 3T25 | Δ | Covenant | Status |
|---|---|---|---|---|---|
| Liquidez Corrente | 1,1x | 1,4x | +0,35x | — | — |
| Caixa / Dívida CP | 1,7x | 3,0x | +1,32x | — | — |
| % Dívida Curto Prazo | 18% | 9% | -9 p.p. | — | Alongamento |
| Div. Líq. / EBITDA | 2,6x | 2,3x | -0,2x | 4,00x | OK |
| EBITDA / Desp. Fin. Líq. | 2,9x | 3,0x | +0,14x | — | — |
| LTV (DL / veículos) | 0,57x | 0,60x | +0,03x | — | Estável |
📝 Emissões de Debêntures em 2025 — Percepção do Mercado
As emissões de 2025 demonstram forte acesso ao mercado de capitais com spreads comprimidos, indicando percepção de risco favorável pelos investidores.
| Emissão | Data | Taxa | Volume | Vencimento |
|---|---|---|---|---|
| 42ª Emissão (2ª e 3ª séries) | Mai/2025 | CDI+1,20% / 1,40% | R$ 1.515 mi | 2030-2034 |
| 43ª Emissão | Jul/2025 | CDI+1,20% | R$ 800 mi | 2029-2034 |
| 44ª Emissão | Ago/2025 | CDI+1,30% | R$ 1.800 mi | 2030-2034 |
| 45ª Emissão (1ª e 2ª séries) | Ago/2025 | CDI+1,18% / 1,28% | R$ 600 mi | 2030-2034 |
| Fleet 20ª Emissão | Set/2025 | CDI+0,91% / 1,15% | R$ 1.000 mi | 2029-2034 |
* Spread mais baixo (CDI+0,91%) foi obtido pela Localiza Fleet na 20ª Emissão — demonstra apetite do mercado pelo Crédito.
Desempenho por Segmento - 3T25
Análise Qualitativa — Destaques do 3T25
Rent-a-Car (RAC)
O crescimento da receita continuou desacelerando (+6% A/A vs. +10%/+9% A/A no 1T25/2T25), já que o foco sustentado em preços (+6% A/A) foi parcialmente compensado por diárias estáveis, provavelmente refletindo menor acessibilidade. Em rentabilidade, o EBITDA atingiu R$1,7 bilhão (+11% A/A), enquanto a margem expandiu para 65,9% (+2,9 p.p. A/A), beneficiada por uma combinação positiva de tarifas mais altas e menores custos de manutenção em meio aos esforços contínuos de renovação de frota.
gestão de Frotas (GTF)
A receita Líquida permaneceu praticamente Estável T/T (+1%), sustentada por (i) tarifas positivas (+2% T/T) à medida que a Localiza foca em reajuste de novos contratos, e (ii) redução de volumes (-1% T/T), principalmente devido à estratégia da Companhia de reduzir exposição a ativos de uso intensivo. O EBITDA ficou em R$1,7 bilhão (+5% T/T), com a surpresa positiva do trimestre sendo a expansão significativa da margem (+2,4 p.p. T/T), impulsionada por Créditos de PIS/COFINS decorrentes da avaliação da vida útil de veículos leves da Locamerica.
Seminovos
Forte desempenho na receita (+15% A/A e +13% T/T), impulsionado por: (i) vendas recorde de 75 mil veículos (+2% A/A e +10% T/T); e (ii) preços mais altos (+13% A/A e +3% T/T), sustentados por perfil melhor dos ativos vendidos, com menor quilometragem média (-13% A/A), e mix mais favorável de modelo/ano com menor participação de veículos de entrada. A margem EBITDA expandiu para 2,6% (vs. 1,6% no 2T24), refletindo: (i) leve melhora na margem bruta (+0,2 p.p. T/T); (ii) menor relação SG&A/receita (-0,8 p.p. T/T) devido a menores despesas e maiores volumes; e (iii) aumento moderado da depreciação unitária em RAC/GTF (+2%/+1% T/T).
⚠️ Impacto da redução do IPI nos Resultados 3T25
Em julho de 2025, foi regulamentada a redução do IPI para carros novos de entrada (Decreto nº 12.549). A Localiza reconheceu impacto one-off de R$929 milhões antes de impostos (R$613 milhões após impostos), principalmente através de maior depreciação no segmento de Seminovos. Distribuição: RAC R$12mi, GTF R$7mi, Seminovos RAC R$614mi, Seminovos GTF R$297mi.
Análise Financeira
Receita Líquida RAC (R$ bilhões)
Frota vs Taxa de Utilização
| Indicador | 3T24 | 3T25 | Variação |
|---|---|---|---|
| Receita Líquida | R$ 2.445 mi | R$ 2.596 mi | +6,2% |
| Diária média | R$ 142,10 | R$ 150,14 | +5,7% |
| Taxa de Utilização | 79,9% | 80,8% | +0,9 p.p. |
| Margem EBITDA Ajustada | 64,2% | 67,7% | +3,5 p.p. |
| Frota Final (mil) | 324,7 | 328,8 | +1,2% |
Receita Líquida GTF (R$ bilhões)
Frota vs Taxa de Utilização
| Indicador | 3T24 | 3T25 | Variação |
|---|---|---|---|
| Receita Líquida | R$ 2.145 mi | R$ 2.273 mi | +6,0% |
| Diária média | R$ 95,90 | R$ 104,03 | +8,5% |
| Taxa de Utilização | 95,9% | 94,9% | -1,0 p.p. |
| Margem EBITDA Ajustada | 69,9% | 73,4% | +3,5 p.p. |
| veículos Uso Severo | ~31 mil | ~20 mil | -35,5% |
Receita Líquida Seminovos (R$ bilhões)
Volume de Vendas (mil carros)
| Indicador | 3T24 | 3T25 | Variação |
|---|---|---|---|
| Receita Líquida | R$ 5.061 mi | R$ 5.798 mi | +14,6% |
| Carros Vendidos | 73.816 | 75.473 | +2,2% |
| Ticket Médio RAC | R$ 66,2 mil | R$ 73,6 mil | +11,2% |
| Margem EBITDA Ajustada | 5,3% | 2,6% | -2,7 p.p. |
| SG&A / Receita | 5,6% | 4,8% | -0,8 p.p. |
Receita Consolidada (R$ bilhões)
EBITDA Consolidado (R$ bilhões)
| Indicador | 3T24 | 3T25 | Variação |
|---|---|---|---|
| Receita Líquida Total | R$ 9.651 mi | R$ 10.667 mi | +10,5% |
| EBITDA Ajustado | R$ 3.319 mi | R$ 3.544 mi | +6,8% |
| Margem EBITDA s/ Aluguéis | 67,0% | 70,4% | +3,4 p.p. |
| Lucro Líquido Ajustado | R$ 811 mi | R$ 871 mi | +7,4% |
| ROIC Anualizado | 13,7% | 15,4% | +1,7 p.p. |
Atualizações 3T25 | Visão de Mercado
Análise consolidada das principais métricas e tendências observadas pelos analistas de mercado no trimestre.
✅ Destaques Positivos do 3T25
RAC — Pricing Power
Foco sustentado em tarifas (+6% A/A) compensa volumes estáveis. EBITDA de R$1,7 bi (+11% A/A) com margem de 65,9% (+2,9 p.p.), beneficiada por menores custos de manutenção em meio aos esforços de renovação da frota.
GTF — Surpresa Positiva
Margem EBITDA surpreendeu com expansão de +2,4 p.p. T/T, sustentada pelo Início do reconhecimento de Créditos de PIS/COFINS provenientes da avaliação de vida útil de veículos leves da Locamerica. EBITDA de R$1,7 bi (+5% T/T).
Seminovos — Recorde
Vendas recorde de 75 mil veículos (+10% T/T) com preços +13% A/A. Margem EBITDA expandiu para 2,6% (vs 1,6% no 2T24), impulsionada por menor SG&A/receita (-0,8 p.p.) e mix mais favorável de modelo/ano.
💰 Atividade de Captação no 3T25
No trimestre, a Localiza emitiu aproximadamente R$5,7 bilhões em debêntures (43ª a 45ª emissões) e CRIs, reforçando a estratégia de:
posição de Liquidez pós-Captações
⚖️ Posicionamento Setorial — Visão Comparativa
O setor de transportes apresentou resultados mistos no 3T25. Empresas de locação e logística sustentaram crescimento de receita com maturação de contratos e demanda resiliente, enquanto margens foram pressionadas por custos elevados.
Localiza
Líder de MercadoDrivers positivos: expansão de frota controlada, reajustes contratuais, diversificação de serviços, gestão ativa da Dívida.
Simpar
Atenção RedobradaPontos de Atenção: compressão de margens, volatilidade de preços de ativos, necessidade de gestão de liquidez, disciplina financeira.
⚠️ Nota de Mercado: Simpar merece Atenção pelo prejuízo consolidado e alavancagem próxima a 3,5x, exigindo disciplina financeira frente ao ciclo de investimentos. A Localiza se destaca pela combinação de liquidez robusta, rentabilidade consistente e gestão ativa de passivos.
Dinâmica Setorial e Riscos
📉 Contexto do Setor de Locação
A dinamica do setor de locação tem sido pressionada desde 2023 pelo aumento do gap de preços de veículos novos e seminovos. Como a venda de seminovos é uma das formas que as locadoras financiam a renovação e expansão de suas frotas, os menores preços de veículos usados têm levado a uma maior necessidade de utilizar Dívidas para realizar a alocação de capital.
O Cenário para preços de carros usados segue com pouca clareza no curto prazo: por um lado, a desvalorização cambial, maiores custos de frete e tarifas de importação poderiam levar a uma retomada nos preços de veículos novos. Por outro lado, a baixa acessibilidade dos carros novos e as margens ainda sustentadas das montadoras parecem limitar aumentos de preços significativos.
Setor de Transportes — Visão 3T25
O setor de transportes apresentou resultados mistos no 3T25. Empresas de locação e logística sustentaram crescimento de receita com maturação de contratos e demanda resiliente, enquanto margens foram pressionadas por custos elevados e renegociações. A geração de caixa foi impactada por CAPEX robusto e despesas financeiras, mantendo alavancagem alta em algumas companhias.
Drivers Positivos
- Expansão de frota controlada
- Reajustes contratuais
- Diversificação de serviços
Riscos Setoriais
- Compressão de margens
- Volatilidade de preços de ativos
- Necessidade de gestão de liquidez
🎯 Estratégia da Companhia
Para recompor margens, a Localiza tem implementado aumentos nas diárias de locação (+5,7% A/A em RAC, +8,5% A/A em GTF). Outra iniciativa é a gradual redução da idade média da frota, que permite vender veículos menos depreciados, melhorando a margem de Seminovos. A redução da exposição a contratos de uso severo (de 31 mil para 20 mil veículos) também contribui para a rentabilidade.
💸 Pressão de Juros
A Localiza possui a maior parte da Dívida atrelada ao CDI. Considerando o custo médio de aproximadamente CDI + 1,7%, a cada 1% de elevação da taxa Selic, estimamos incremento de R$300 a R$400 milhões na despesa financeira anual. O hedge via swaps (R$21 bi a 11,7%) mitiga parcialmente este risco.
Conclusão - Visão de Crédito
📌 Recomendação de Crédito
Apesar dos desafios de curto prazo enfrentados pelo setor (gap de preços novos/usados, impacto do IPI, Cenário de juros elevados), a Localiza mantém perfil de Crédito sólido com:
1. Alavancagem moderada (2,33x) — especialmente considerando a natureza intensiva em capital da indústria;
2. Liquidez adequada — caixa de R$12,3 bi cobre vencimentos até 2026 com folga;
3. Acesso privilegiado ao mercado de capitais — spreads competitivos (CDI + 0,9% a 1,7%);
4. Capacidade de repasse de custos — diárias aumentando acima da inflação;
5. Proteção de hedge — R$21 bi em swaps mitigam risco de juros.
A fusão com a Locamerica em 2022 fortaleceu a posição competitiva sem incorrer em Dívidas significativas, diferentemente de outros players do setor. O rating AAA em escala nacional com perspectiva Estável reflete a Visão positiva das agências sobre a capacidade de pagamento da companhia. A companhia demonstrou resiliência operacional mesmo diante do impacto one-off de R$929 milhões (antes de impostos) decorrente da redução do IPI. A alavancagem permanece em patamar confortável de 2,33x DL/EBITDA, uma melhora significativa vs 2,57x no 3T24, refletindo a disciplina na gestão de preços e custos
⚡ Evento Relevante: Início da amortização do ágio
Em setembro de 2025, a Localiza iniciou a amortização do ágio da combinação de negócios decorrente da fusão com a Locamerica. Este evento resulta em redução do imposto de renda caixa, representando um benefício fiscal recorrente nos próximos anos que contribuirá para o fortalecimento da posição de liquidez da companhia.
A amortização fiscal do ágio é um benefício tributário previsto na legislação brasileira que permite às empresas deduzir o valor do ágio pago em aquisições da base de cálculo do IR e CSLL, gerando economia de caixa relevante.
Glossário de Indicadores Financeiros
EBITDA
Sigla em inglês para Earnings Before Interests, Taxes, Depreciation and Amortization, ou em português Lucro antes dos Juros, Impostos, Depreciação e amortização (LAJIDA). É um indicativo do potencial de geração de caixa operacional da empresa, sem levar em consideração os efeitos de receitas e despesas financeiras, impostos, depreciação e amortização. Amplamente utilizado para análise de empresas e comparabilidade.
Dívida Líquida
Também chamada de endividamento líquido, consiste no saldo de empréstimos e financiamentos, após reduzido o caixa da empresa. No geral, considera-se que quanto maior o volume de Dívida em relação às disponibilidades financeiras, mais endividada é a empresa. Quando a quantidade de caixa é superior à quantidade da Dívida, considera-se que a empresa é "aplicadora Líquida" ou que possui um "endividamento líquido negativo".
Dívida Líquida / EBITDA (quanto menor, melhor)
Relação entre a Dívida Líquida e o EBITDA, é uma das métricas mais comumente utilizadas na análise de Crédito como medida da alavancagem. Em contratos de Dívida que possuem cláusulas contratuais (covenants), costuma ser o principal indicador a ser monitorado, uma vez que demonstra o quanto do crescimento da Dívida está sendo acompanhado pelo crescimento do resultado operacional.
EBITDA / Despesas Financeiras (quanto maior, melhor)
Também conhecido como Índice de Cobertura de Juros (ICJ), é um indicador da saúde financeira da empresa, pois mede a capacidade da empresa em honrar com as despesas de juros de seus empréstimos a partir de seu potencial de geração de caixa operacional (EBITDA), servindo também como um índice de solvência. Considera-se que empresas com ICJ abaixo de 1x podem ter dificuldade em arcar com o pagamento das despesas financeiras.
Patrimônio Líquido / Ativo Total (quanto maior, melhor)
Indicador relativo à estrutura de capitais da empresa, demonstra o quanto dos seus ativos são cobertos por capital próprio (Patrimônio Líquido), ou seja, a diferença relaciona o quanto a empresa precisa se endividar com capital de terceiros para financiar seus ativos. Quanto mais próximo a 100% (ou 1x vez), significa que a empresa possui maior autonomia de recursos em detrimento à assunção de Dívidas.
Liquidez Corrente (quanto maior, melhor)
Calculada pela razão entre o Ativo Circulante e o Passivo Circulante classificados no Balanço Patrimonial, é um indicador financeiro que mostra a capacidade da empresa de quitar todas as suas obrigações de curto prazo, ou seja, considera os valores previstos de entrada de caixa e de saída de caixa no horizonte de até doze meses.
Fluxo de Caixa das Operações
O Demonstrativo de Fluxo de Caixa (DFC) das empresas é geralmente dividido em três seções: a das operações, a de investimento e a de financiamento. No caso "das operações", demonstra as entradas e saídas de caixa da empresa oriundas essencialmente de sua atividade, ou seja, considera as receitas e as despesas operacionais em determinado período, e não leva em consideração o resultado financeiro e os investimentos (capex).
Fluxo de Caixa de Investimento
Seção do Demonstrativo de Fluxo de Caixa que destaca como a empresa alocou recursos nas despesas de capital, ou seja, em capex, seja de manutenção, modernização ou expansão, incluindo aquisições de outras marcas ou empresas.
Fluxo de Caixa de Financiamento
Seção do Demonstrativo de Fluxo de Caixa que destaca o valor dispendido pela empresa com captação e pagamento de empréstimos e financiamentos, bem como em custo da Dívida. Inclui também os itens relacionados à estrutura de capitais, como emissão e recompra de ações e de dividendos e juros sob capital próprio. A soma das três seções do DFC (Operaçõe, Investimento e Financiamento) resulta na variação do caixa da empresa no período.
LTV (Loan-to-Value)
Representa a relação entre a Dívida Líquida e o valor contábil dos veículos (frota). A ideia é medir o quanto os ativos líquidos da Companhia cobririam da Dívida em caso de necessidade de venda. Quanto menor o LTV, maior a margem de segurança para os credores, indicando que os ativos da empresa são suficientes para cobrir suas obrigações mesmo em Cenários de estresse.