Autor: Igor Stramandinoli Moita Pontes
A Casa dos Ventos S.A. é uma das maiores plataformas de energia renovável do Brasil, fundada em 2007 por Mario Araripe. Com 4,3 GW de projetos em operação e construção e um pipeline de mais de 60 GW em desenvolvimento, a companhia é pioneira no setor eólico brasileiro. Em 2023, a TotalEnergies (A+/Aa3) adquiriu 34% de participação, agregando solidez creditícia e suporte estratégico global.
A Casa dos Ventos foi fundada em 2007 por Mario Araripe, engenheiro aeronáutico formado pelo ITA. A companhia é pioneira no mapeamento de recursos eólicos no Nordeste brasileiro e se consolidou como uma das maiores desenvolvedoras de projetos de energia renovável do país, com 100% dos projetos entregues no prazo ou antes do esperado.
A empresa atua em toda a cadeia de valor: desenvolvimento, construção, operação e comercialização de energia. Em 2023, a multinacional francesa TotalEnergies adquiriu 34% de uma joint venture que reúne todos os ativos operacionais e projetos em desenvolvimento, trazendo redução do custo de capital, economias de escala e garantias corporativas de grau de investimento global.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Capacidade Instalada | 4,3 GW (operação + construção) |
| Pipeline de Desenvolvimento | +60 GW em projetos futuros |
| Investimentos Realizados | R$ 21,9 bilhões |
| Prazo Médio dos PPAs | ~15 anos |
| Track Record | 100% dos projetos entregues no prazo |
| Acionista Estratégico | TotalEnergies (34%) - Rating A+/Aa3 |
O crescimento expressivo da receita reflete a entrada em operação de novos projetos e o aumento da capacidade instalada. A companhia registrou receita líquida de R$ 4,29 bilhões no 9M25, um avanço de 94% em relação ao mesmo período de 2024, impulsionada pelo ramp-up do projeto Serra do Tigre e performance dos parques operacionais.
| Indicador (R$ MM) | 9M25 | 9M24 | Var.% |
|---|---|---|---|
| Receita Líquida | 4.294 | 2.213 | +94,0% |
| Custos Operacionais | (3.559) | (1.851) | +92,3% |
| Lucro Bruto | 735 | 362 | +103,0% |
| Despesas G&A | (134) | (106) | +26,4% |
| Resultado Financeiro | (447) | (248) | +80,2% |
| Equivalência Patrimonial | 73 | (3) | n.m. |
| Lucro Líquido (Controladores) | 113 | 77 | +46,8% |
A dívida bruta consolidada atingiu R$ 12,52 bilhões em 30/09/2025, um aumento de 45,6% em relação a dezembro de 2024, refletindo as captações para financiar o plano de expansão. A estrutura de capital é predominantemente composta por financiamentos de longo prazo do BNDES e BNB, com taxas indexadas ao IPCA e spreads competitivos.
| Descrição | 30/09/2025 | 31/12/2024 | Var.% |
|---|---|---|---|
| BNDES (FAT, FNMC, FINAME) | 5.207.791 | 3.579.570 | +45,5% |
| BNB (FNE, AFD) | 2.371.900 | 2.341.148 | +1,3% |
| BB (SUDENE) | 410.548 | 443.722 | -7,5% |
| (-) Custos de Captação | (328.435) | (284.443) | - |
| Total Empréstimos e Financiamentos | 7.661.804 | 6.079.997 | +26,0% |
| Escrituras de Debêntures | 736.168 | 744.988 | -1,2% |
| Notas Comerciais (Dívida Ponte) | 3.584.244 | 1.253.868 | +185,9% |
| (-) Custos de Captação | (72.957) | (56.458) | - |
| Total Debêntures e Notas Comerciais | 4.247.455 | 1.942.398 | +118,7% |
| Ações Preferenciais Resgatáveis (APRs) | 608.347 | 576.322 | +5,6% |
| DÍVIDA BRUTA TOTAL | 12.517.606 | 8.598.717 | +45,6% |
| (-) Caixa e Equivalentes | (1.236.949) | (1.169.969) | - |
| (-) Aplicações Financeiras | (1.184.977) | (686.269) | - |
| DÍVIDA LÍQUIDA | 10.095.680 | 6.742.479 | +49,7% |
A Casa dos Ventos possui um portfólio diversificado de projetos eólicos e solares, com destaque para o Projeto Serra do Tigre (756 MW) em fase final de construção, e os projetos solares Seriemas e Rio Brilhante que entrarão em operação em 2026.
| Projeto | Tipo | Capacidade | Status | PL (R$ MM) |
|---|---|---|---|---|
| Serra do Tigre | Eólico | 756 MW | Construção | 1.740 |
| Rio do Vento Expansão | Eólico | ~400 MW | Operacional | 658 |
| Babilônia Sul | Eólico | ~350 MW | Operacional | 451 |
| Babilônia Centro | Eólico | 553 MW | Operacional | 510 |
| Umari | Eólico | ~280 MW | Operacional | 355 |
| Solar Seriemas | Solar | ~500 MW | Construção | 374 |
| Solar Rio Brilhante | Solar | ~400 MW | Construção | 369 |
O Projeto Serra do Tigre é o maior projeto da Casa dos Ventos, com 756 MW de capacidade instalada distribuídos em 12 parques eólicos nos estados da Paraíba e Rio Grande do Norte. Os projetos possuem PPAs de longo prazo (~15 anos) com contrapartes de alta qualidade creditícia e contrato de O&M com a Vestas.
A TGR Subholding 7 (Ventos de Santa Áurea - 63 MW) emitiu R$ 390 milhões em debêntures com Parent Company Guarantee (PCG) da TotalEnergies Holdings, limitada a R$ 441 milhões. A emissão recebeu rating AAA(bra) da Fitch Ratings.
A TotalEnergies SE é uma das maiores empresas de energia do mundo, com atuação integrada em toda a cadeia de óleo e gás. A companhia possui grau de investimento global (A+ pela S&P e Aa3 pela Moody's), representando 4 a 5 graus acima dos ratings das empresas brasileiras mais bem avaliadas como Vale e Gerdau.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Receita Líquida | US$ 102 bilhões |
| Margem EBITDA | 20% |
| Fluxo de Caixa Operacional | US$ 14 bilhões |
| Dívida Líquida (ex-IFRS16) | US$ 26 bilhões |
| Caixa e Equivalentes | US$ 25,8 bilhões |
| Garantias a Subsidiárias | US$ 22,3 bilhões (2024) |
CCL negativo de R$ 1,46 bilhão em 30/09/2025, com parte significativa referente às Notas Comerciais (dívida ponte) com vencimento em julho de 2026. Necessidade de refinanciamento no curto prazo.
A dívida ponte será progressivamente liquidada com novos desembolsos de financiamentos de longo prazo das TGR Subholdings. Em novembro/2025, foi realizada quitação antecipada de R$ 1 bilhão das notas comerciais. A TGR Sub 3 celebrou contratos de U$ 100 MM + U$ 116 MM em novembro/2025.
Elevado plano de investimentos em curso, com múltiplos projetos em construção simultaneamente (Serra do Tigre, Solar Seriemas, Rio Brilhante). Riscos de atrasos, estouro de custos e questões ambientais/fundiárias.
Track record impecável: 100% dos projetos entregues no prazo ou antes do esperado em 17+ anos de operação. Contratos de O&M de longo prazo com fabricantes (Vestas) mitigam riscos operacionais. Equipe técnica experiente e processos consolidados.
Concentração de receita em contratos de venda de energia no mercado livre, sujeitos à volatilidade de preços e condições de mercado. Flutuações podem impactar a rentabilidade dos projetos.
PPAs de longo prazo (~15 anos) com contrapartes de alta qualidade creditícia proporcionam previsibilidade de receita. A comercializadora própria permite gestão ativa do portfólio. Contratos de energia marcados a valor justo apresentaram resultado positivo de R$ 172 milhões em 30/09/2025.
Dívida Líquida/EBITDA estimada em 8,5x no 3T25. A companhia está em ciclo intensivo de investimentos, o que pressiona temporariamente os indicadores de alavancagem.
Garantia corporativa da TotalEnergies (A+/Aa3) proporciona acesso a financiamentos em condições favoráveis. A maior parte da dívida é de longo prazo, atrelada a BNDES/BNB com taxas subsidiadas. Espera-se redução gradual da alavancagem com entrada em operação dos novos projetos e geração de caixa adicional.
Parte dos financiamentos em moeda estrangeira (dólar) e mudança de moeda funcional de algumas controladas para USD a partir de julho/2025. Volatilidade cambial pode impactar o resultado financeiro.
Política ativa de hedge: A companhia possui contratos de NDF para proteção cambial, com posição líquida positiva de R$ 66,8 milhões em derivativos em 30/09/2025. Alguns contratos de venda de energia indexados ao dólar proporcionam hedge natural.
Após o fechamento do período, a companhia realizou importantes movimentações que reforçam sua capacidade de refinanciamento e continuidade do plano de expansão:
| Data | Evento | Valor/Impacto |
|---|---|---|
| 07/10/2025 | Entrada em operação comercial - Babilônia Centro | +553 MW |
| 22/10/2025 | 3º desembolso BNDES - Solar Rio Brilhante e Seriemas | R$ 310 MM |
| 29/10/2025 | Desembolso integral debêntures TGR Subholding 7 | R$ 362 MM |
| 30/10/2025 | CBA adquire participação na TGR Subholding 3 | Minoritário |
| 05/11/2025 | TGR Sub 3 - Financiamento Crédit Agricole | U$ 100 MM |
| 11/11/2025 | TGR Sub 3 - Financiamento Société Générale | U$ 116 MM |
| 12/11/2025 | Quitação antecipada notas comerciais São Rafael | R$ 1.000 MM |
| 10/11/2025 | Integralização de capital pelos acionistas | R$ 170 MM |
Parceria SABESP: Em 2025, a Casa dos Ventos firmou acordo estratégico com a SABESP para exploração conjunta de centrais geradoras fotovoltaicas do projeto Solar Rio Brilhante (MS), sob regime de Autoprodução. Entrada em operação prevista para o 2º semestre de 2026.
A Casa dos Ventos apresenta um perfil de crédito em evolução, combinando pontos fortes significativos com desafios temporários relacionados ao ciclo intensivo de investimentos. O principal diferencial é a presença da TotalEnergies (A+/Aa3) como acionista estratégico e garantidor, proporcionando suporte creditício robusto.
Os resultados do 9M25 demonstram a capacidade de crescimento da companhia: receita avançou 94% para R$ 4,29 bilhões, refletindo a entrada em operação de novos projetos e expansão do portfólio. O track record de 100% dos projetos entregues no prazo é um diferencial competitivo importante que mitiga o risco de execução.
A estratégia de refinanciamento da dívida ponte está em execução, como demonstram os eventos subsequentes: quitação antecipada de R$ 1 bilhão das notas comerciais e novos financiamentos de U$ 216 MM para a TGR Sub 3. A expectativa é de normalização das métricas de alavancagem à medida que os projetos entrem em operação comercial plena.
Monitoramos a conclusão do projeto Serra do Tigre, a execução dos projetos solares e a continuidade do suporte da TotalEnergies ao grupo.
| Indicador | 30/09/2025 | 31/12/2024 | Variação |
|---|---|---|---|
| Receita Líquida (9M) | R$ 4,29 Bi | R$ 3,54 Bi (FY) | ↑ |
| Lucro Líquido (9M) | R$ 124 MM | - | - |
| Ativo Total | R$ 22,50 Bi | R$ 15,40 Bi | +46,1% |
| Patrimônio Líquido | R$ 5,87 Bi | R$ 4,52 Bi | +29,9% |
| Dívida Bruta | R$ 12,52 Bi | R$ 8,60 Bi | +45,6% |
| Dívida Líquida | R$ 10,10 Bi | R$ 6,74 Bi | +49,7% |
| Imobilizado | R$ 15,64 Bi | R$ 10,93 Bi | +43,1% |